QUEM SOMOS





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A Associação para a Preservação do Burro - Burricadas é uma associação sem fins lucrativos, criada em Março de 2007, com o objectivo de divulgar e preservar o burro em Portugal.
O Abrigo do Jumento foi criado pelas Burricadas para acolher burros velhos, abandonados e/ou maltratados, funcionando como um refúgio onde os animais recebem todos os cuidados necessários ao seu bem estar.
A Associação não recebe qualquer tipo de subsídio ou apoio estatal. Todas as receitas do projecto provêm apenas de donativos e da realização de actividades e eventos.
A crescente mecanização da agricultura e o desenvolvimento dos transportes retiraram utilidade aos asininos. Por serem considerados o parente pobre dos equídeos, foram sendo esquecidos no que diz respeito a medidas de protecção. De acordo com os últimos censos do INE, os índices de efectivos asininos na região Oeste do país colocam-nos em vias de desaparecimento, ao contrário de algumas zonas do país onde ainda é abundante.
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HISTÓRIA
ORIGEM ........................................................................................................
O burro (Equus asinus) é um mamífero de médio porte que está ligado ao Homem desde os tempos mais remotos do Neolítico. Os registos mais antigos da sua domesticação provêm do Antigo Egipto. Admite-se que, na Europa, tenha surgido no quinto milénio antes de Cristo e se expandiu por todo o Continente.
As características do mundo rural português, com uma agricultura de baixa produtividade e propriedades pequenas, fizeram com que se tornasse indispensável aos pequenos proprietários. Os burros eram também muito utilizados para serviços de carga e transporte, assim como na produção de híbridos.
ALOJAMENTO ..............................................................................................
A fim de proporcionar as condições de alojamento essenciais à garantia da qualidade de vida destes animais, deve utilizar-se um sistema de estabulação parcial, que compreende uma zona coberta (estábulo ou abrigo) com acesso a um espaço aberto devidamente vedado.
A zona coberta deve ser bem arejada, mas também proteger o animal de correntes de ar e da chuva. Por seu turno, o estábulo ou abrigo deve ser regularmente limpo de estrume acumulado, um factor importante para a manutenção de um ambiente higiénico e preventivo de doenças. Não esquecer o pavimento, que não deve ser escorregadio, e deve ter uma área coberta de palha para os animais se deitarem.
A área deve ser suficientemente ampla para os animais se exercitarem livremente e espojarem.
ALIMENTAÇÃO .............................................................................................
HIGIENE .........................................................................................................
Uma boa alimentação deve ser rica em nutrientes, vitaminas, sais minerais e fibra. Contudo, o regime de alimentação a adoptar deverá ser adaptado a cada animal, em função da idade, do peso e da condição (caso das fêmeas gestantes e dos animais muito jovens), ao que se recomenda o aconselhamento do médico veterinário.
Regra geral, a alimentação de um burro deve ser abundante e variada, composta por feno ou palha de boa qualidade (fonte natural de fibra), disponível todo o dia, ração própria para equinos (levando em conta as considerações acima enunciadas), pasto caso possível ou frescos (fonte natural de vitaminas e importantes para o correcto funcionamento intestinal), caso das cenouras, nabos ou maçãs (em moderação). Em especial no Inverno, recomenda-se a adição de óleo vegetal em pequenas quantidades à ração.
As refeições devem ser administradas a horas regulares, de preferência 2 a 3 vezes por dia.
Note-se, que contrária à crença generalizada em Portugal, o pasto só por si não é uma fonte de alimentação suficiente, devendo ser complementado por feno e ração.
Em casos especiais (fêmeas gestantes ou lactantes, poldros, convalescentes ou burros muito idosos), a alimentação terá ainda de ser suplementada por compostos vitamínicos apropriados aos casos referidos.
Ao se escovar o burro, recomenda-se, pela ordem descrita, o emprego de uma almofaça em movimentos circulares para soltar a sujidade, seguida da cardoa em movimentos descendentes para limpar os pêlos soltos. A cabeça deve ser escovada apenas com uma pequena escova macia para o efeito. Estas escovas são fáceis de obter em qualquer correaria ou loja de artigos equestres.
No caso dos burros idosos, por vezes o saco lacrimal fica obstruído, causado descargas de substâncias líquidas ("ramelas").
Os cuidados de higiene dados aos burros com regularidade são importantes e apresentam diversas funções. Escovar o burro simula um acto social típico dos grupos de equídeos, em que os laços afectivos entre o animal e o seu tratador são aprofundados. Em contra-partida, as tarefas de limpeza do animal facilitam a detecção de eventuais problemas em fase inicial, permitindo que se tome acção imediata. Finalmente, a rotina higiénica do animal é a base de uma vida saudável.
Os principais cuidados de higiene do burro são a escovar do pêlo, a limpeza dos olhos e dos cascos.
O pêlo dos animais deve, por rotina, ser escovado a uma frequência semanal; no caso dos burros residentes em espaços ao ar livre não se recomenda que esta operação seja executada mais vezes, sob o risco de retirar do pêlo do animal os óleos naturais de protecção aos agentes climatéricos. Ao se escovar o burro, deve-se seguir a direcção do pêlo, começando no pescoço e descendo para a traseira.........
A sua limpeza é simples, bastando limpar à volta dos olhos com um algodão embebido em soro fisiológico ou água de rosas, um gesto que deverá fazer parte do programa de higiene do animal.
Por fim, a limpeza de cascos é muito importante para a remoção de sujidade e estrume acumulados ou ainda de alguma pedra entalada. Esta operação é vital à manutenção do casco saudável, funcionando como um complemento à aparação, pois permite detectar irregularidades como infecções ou até abcessos
Em contrapartida, o estábulo ou abrigo deve ainda obedecer a outros requisitos, nomeadamente a instalação de manjedouras colocadas à altura indicada (cerca de 1 metro do solo), limpas com regularidade de pó, sujidade e restos de comida, e o fornecimento de água fresca e limpa todo o dia, recomendando-se para isso os bebedouros automáticos e uma pedra de sal, fonte natural de sais minerais essenciais. Em condições ideais, o estábulo deve ter acesso directo e estar aberto para uma área aberta ou cercado, protegida por vedações fortes e seguras, excluindo-se o arame farpado pelos perigos que apresenta (recomenda-se uma vedação electrificada).
APARAÇÃO DE CASCOS ................................................................................
CUIDADOS VETERINÁRIOS ..........................................................................
Tal como noutros equídeos, o bem-estar do burro estende-se à manutenção dos seus cascos. Antigamente, os burros, enquanto animais de tracção, ao trabalharem exaustivamente desgastavam os cascos, o que levava a que muitos fossem até ferrados. Todavia, hoje, com o abandono da agricultura tradicional, o uso do burro foi sendo alterado, tornando-se primordialmente um animal de companhia, de lazer ou usado em trabalhos mais leves.
Por estas razões, os cascos do burro já não justificam a colocação de ferraduras, se bem que continuem a requerer cuidados apropriados, a fim de salvaguardar o bem-estar do animal e a sua mobilidade.
Assim, os cascos devem ser observados e aparados regularmente por um profissional especializado no trato destes animais, de preferência de 2 em 2 meses, se bem em certos casos a periodicidade desta operação poderá ser diferente.
De advertir, para as graves consequências que uma aparação executada por pessoas não especializadas poderá ter para o animal.
O mesmo se aplica ao desleixo com estes cuidados básicos.
A título de exemplo, 90% dos burros que chegam ao Abrigo do Jumento apresentam problemas nos cascos, alguns irreversíveis e crónicos, fruto de aparações deficientes ao longo dos anos ou de negligência dos antigos proprietários.
A saúde e bem-estar do burro dependem das boas condições em que são mantidos, da alimentação adequada e dos cuidados veterinários.
Os cuidados veterinários são de dois tipos: os regulares, essenciais a um animal saudável e de carácter preventivo ou correctivo, e os pontuais, quando o animal manifesta sintomas de doença.
No quadro dos cuidados regulares contam-se as vacinações anuais, em prevenção à gripe equina e ao tétano, que deverão ser administradas pelo médico-veterinário. Em simultâneo, o animal deve ser desparasitado por via oral, com medicamento apropriado de 3 em 3 meses, devendo haver o cuidado de alternar desparasitantes de largo espectro com outros mais específicos.
Um outro cuidado regular, e que se aplica sobretudo aos animais mais velhos, é a inspecção anual aos dentes, que deverá ser conduzida pelo médico-veterinário, e da qual podem resultar tratamentos dentários, tais como limar as pontas, as extracções ou corte de extremidades entre outros. Nalguns casos (burros idosos ou animais com problemas odontológicos) chegam a ser necessárias mais intervenções por ano.
No âmbito dos cuidados pontuais, aos primeiros sinais de doença, o médico-veterinário deve ser chamado sem demora. A título de exemplo, destacam-se as dermatites, normalmente sazonais, e que ocorrem com maior frequência nas mudanças de estação (Inverno/Primavera ou Verão/Outono), as pneumonias, mais frequentes no Inverno, e as cólicas que podem acontecer durante todo o ano (podem ter causas várias, mas as mais comuns derivam de mudanças bruscas na alimentação).
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